sábado, 7 de julho de 2007
Todas as pessoas pelas quais me apaixonei até hoje tinham algo que não consigo explicar.
Algum detalhe que me encantava,talvez?
Os detalhes sempre me encantaram.
Já perdi noites de sono por um nariz, um par de olhos, maçãs do rosto, um sorriso e uma risada que não me deixavam em paz.
Ecoavam em minha cabeça.
Não, não eram esses detalhes.
Não eram tudo, ao menos.
Inteligência?
Talvez.
Mulheres estúpidas sempre me entediaram
As inteligentes me fascinaram.
Desde sempre.
Não apenas as mulheres, mas as pessoas em geral.
Talvez não seja isso.
Um senso de humor, talvez?
Sempre me encantou.
Um senso de humor mais refinado, uma certa ironia, talvez?
Também sempre me encantou.
Acho que é esse conjunto de sutilezas.
Afinal, sutilezas sempre me encantaram.
quinta-feira, 28 de junho de 2007
Não quero mesmo ver aquela parede suja e decadente.
Há um sinal,um rosto,uma lembrança onde a tinta está descascada.
É mais do que consigo suportar.
Me levanto.
Me vejo cercado por pincéis,telas,violões e gravadores de quatro canais.
Seringas e prozacs.
Vestindo uma velha e surrada camiseta do Pink Floyd.
Me levanto e me ponho a pintar.
Só me frustro ainda mais.
Não consigo pôr na tela o que estou pensando.
Me deito no chão e coloco um cd de John Frusciante para tocar.
Olho meu pôster de Syd Barret.
Penso no que se tornou minha vida.
Tomo dois ou três comprimidos.
Olho fixamente para meus joelhos, por um tempo indefinido.
Até notar cada poro.
Observo as manchas de umidade na parede de minha sala decadente.
Tomo mais comprimidos.
Não consigo contar quantos.
Observo novamente a parede.
A última coisa que vejo é a mancha na parede.
O significado desta me traz tristeza.
Tudo passa, em meio ao vazio, ao escuro.
Ao silêncio.
Tenho a sensação de subir vertiginosamente.
Uma sensação de felicidade inexplicável e irreprimível se apodera de mim.
Subo cada vez mais.
Posso ouvir Stairway To Heaven.
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Todos tentando ter uma máscara perfeita, ou ao menos tão imperfeita quanto a que os outros usam.
Tentam ter a mais, bonita, mais luxuosa.
Sem perceber que isso não ajuda em nada.
uma hora ou outra, esta cairá, revelando um interior que não foi embelezado.
Uma natureza não-podada, ao contrário do exterior.
Suas fantasias usam os materiais mais luxuosos.
Pessoas banhadas a ouro.
Lindas, por fora, mas, por dentro, simples cobre.
Da pior qualidade.
Dançando conforme uma música sinistra.
Até assustadora, diria.
Mas que todos fingem satisfazer.
Hipocrisia soa mal, incomoda.
Mas ninguém se revolta contra ela.
Vejo algém tirando sua máscara, e gritando:
Isso é ridículo.!
Vejo os mascarados o tirando de lá.
O ouço gritando.
Os augozes retornam.
A festa continua.
sábado, 16 de junho de 2007
quinta-feira, 7 de junho de 2007
sexta-feira, 25 de maio de 2007
The sun is gone, but I have a light.
Vi isso escrito em um muro, há algum tempo.Na verdade, notei há algum tempo,pois já passo por esse muro há muito tempo.
Foi uma luz em meu caminho,realmente,como diz a citação. Realmente senti isso.
Em uma fase ligeiramente negra,sombria,nublada de minha vida, foi como um sopro vital.
Estava em um estado de humor muito estranho, um tanto poético, descrente do mundo,com tendências ainda mais acentuadas a observar e até me divertir com a ironia das situações.
Parei em frente a ela,imaginando, no que deveria estava pensando quem a escreveu.Quem seria, onde estaria agora?
Agradecendo a ele,em meu interior.
O sol se foi,mas eu tenho uma luz.
Era o que precisava ouvir.
Eu tenho minha própria luz.
Não dependo de outros para ser iluminado, notado, nem que seja por uma réstia de luz que acidentalmente incide sobre mim.
Eu tenho minha própria luz.
Meu modo de agir,pensar e me comportar é único.
Essa é minha luz.
É o que faz de mim eu mesmo.
E minhas experiências positivas e negativas influíram muito sobre minha personalidade.
A última semana era apenas mais um capítulo de minha vida, que influenciaria minha vida futura, como o êxtase e o pesar passados fizeram de mim quem sou hoje.
Não mudaria nada que já ocorreu.
Tenho orgulho de minha vida e modo de vivê-la.
Parei e, no meio da rua, comecei a cantar In Bloom,do Nirvana.
Uma música sombria,é verdade.Mas que, puxada por uma cadeia de pensamentos que até agora me parece inexplicável, veio à minha mente.
No começo, quase como um sussurro.Um sopro débil que parecia vir de dentro de minha alma.,e que, juntamente com meu ânimo, foi se fortalecendo.
Logo me vi cantando a plenos pulmões, e com um sorriso nos lábios.
Parecia que tudo que havia acontecido nas últimas semanas havia se apagado de minha mente por um momento.
Bons momentos que levaram a um fim talvez não muito agradável.
Maus momentos que resultaram disso, pensamentos negativos.
Mas que a partir daquele momento, se tornaram parte de mim,de livre e espontânea vontade.
Tinha que ser assim